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domingo


Sinopse:
Um pequeno livro mas de uma beleza absolutamente estonteante.
Com fotografias de Albane Chotard Moreno e textos de Gonçalo M.Tavares, Jacinto Lucas Pires, Pedro Mexia e Rui Zink, este é um livro artístico que encanta qualquer pessoa. Um objecto de deleite, prazer, contemplação e leitura.

Excerto:
"Um poeta educado intelectualmente para não pensar demasiado enquanto escrevia versos atrasou-se tanto que a noite chegou ainda a folha do caderno permanecia ameaçadora.
De noite os sentimentos, porventura, sendo coisas físicas, procurarão dentro do organismo individual - com mais dificuldade - os melhores caminhos que dêem acesso ao coração, e se nada inluminar os seus passinhos bruscos como poderão eles depois encontrar uma forma de se exprimir cá fora, por intermédio desse rude e limitado alfabeto, dessa invenção grotesca que transformou desenhos - percurços de traços - em rituais que pensam? Se as letras conseguem exprimir todas as nossas emoções, então o que fazer com as mãos?
Mas voltemos ao essencial: chegara a noite, ou o corpo conseguira alcançá-la (quem anda: o corpo ou o tempo?), a noite e o corpo, digamos então assim, haviam-se encontrado, como numa coincidência já prevista, e o poeta só sentira; de baixo a cima:sentimentos (sem dúvida: um catálogo de emoções), porém na folha: nada, nem uma palavra. Nem sequer uma rosa."
de Gonçalo M. Tavares

(2 de Dezembro de 2007)

sábado

Sinopse:

Em "Chocolate à Chuva" (terceiro volume da trilogia que começa com "Rosa, Minha Irmã Rosa" e prossegue com "Lote 12, 2.º Frente"), Mariana é confrontada, entre outros problemas, com um bem difícil: o divórcio. Os pais da Rita, sua amiga de sempre, tomam essa decisão. É a ruptura. É o fim da "casa da Rita", é o "tremer" das coisas sólidas. Mariana vai entrar no emaranhado dos "quês" e "porquês" e vai sentir-se impotente para ajudar a Rita. Mas "Chocolate à Chuva" é também uma maneira fascinante de acompanhar o crescimento de uma adolescente atenta não só ao que se passa em redor dela mas também à sua própria evolução.

A minha opinião:
Gostei bastante. Peguei neste livro apenas para tentar acabar o desafio do alfabeto de autores e não esperava que gostasse tanto de o ler.
Um livro muito bem escrito, com uma linguagem extremamente acessível a exprimir sentimentos e conflitos que se sente quando os nossos pais se separam. O turbilhão sentimental desencadeado por este acontecimento é retratado pela autora Alice Vieira, com uma simplicidade que me comoveu. Conseguiu transmitir por escrito o que a maioria dos adultos não conseguem nem falar.
29 de Novembro de 2007
Sinopse:
Todas elas são escritoras. Vêm do Chile, do México, da Argentina, do Uruguai, do Peru, de Portugal. Juntaram-se e escreveram os contos que aqui se publicam pela primeira vez.
Contos de mulheres e contos sobre mulheres – sobre mulheres que aprenderam a calar, a dissimular e a apagar-se enquanto se empenhavam em alcançar a máxima eficácia nas suas tarefas; sobre mulheres, comuns e correntes, que não souberam encontrar outra maneira de responder à mentira e ao abuso.Crimes de Mulheres é por isso muito mais do que uma antologia policial, embora os textos que a compõem tenham todos os ingredientes de suspense e mistério. Só que o crime, aqui, é uma outra forma de falar da condição feminina e das mudanças que essa condição vai sofrendo no mundo difícil que é o nosso.
A minha opinião:
Apesar de gostar muito de contos devo dizer que, à excepção de três, estes, no geral, não me cativaram mesmo nada.
Gostei dos contos de Cristina Norton ("Menina modelo"), Rosa Lobato Faria ("Criada para todo o serviço") e Ana Vasquéz-Bronfman ("Ritos funerários").
(10 de Novembro de 2007)

quinta-feira

"O livro conta a história de Teodorico Raposo, narrador e personagem principal, nas suas desventuras por entre os caminhos afortunados da franja da burguesia altamente religiosa de Lisboa: a orfandade, muito cedo na vida; o ir viver com a tia Patrocínio, irmã da falecida mãe; os estudos das leis em Coimbra; a volta à capital, já doutor.
G. Godinho, seu avô, tinha deixado extensa fortuna – da qual apenas a titi e ele próprio seriam legítimos herdeiros – e Teodorico dedica a sua existência a fazer crer a seca velha, acérrima beata, enojada das coisas da carne, das «relaxações», casta, e santa, no seu entender, que era merecedor dos contos do comendador – materializados, ao longo das páginas, na bolsa verde da titi.
O romance ganha seus contornos mais largos quando, na casa do Campo de Santana, onde moravam, sempre cheia de visitas da Magistratura e do Clero, Teodorico consegue convencer a titi a deixá-lo fazer uma viagem a Jerusalém – já que Paris, essa terra de relaxações, primeira vontade de Teodorico, não era opção para a lúgubre senhora. É nessa jornada que conhece Topsius, um doutor germânico da História, e ao passar pelo Egipto, até à Palestina, se dá às relaxações que, a serem descobertas pela titi, poder-lhe-ão sair caras. A sua função era trazer todo o tipo de coisas santas, de religião, da terra do Senhor, e trazer a cura para todos os males da titi – uma relíquia inigualável. Teodorico decide fazer isso mesmo – com alguns desvios à norma imposta – e voltar a Lisboa para esperar a morte da velha e os contos do avô – que se poderiam perder para a Igreja, se a sua conduta fosse descoberta."
In rascunho.net

"Da intriga central - a viagem do Teodorico à Terra Santa, de onde traz, não a relíquia que prometera à tia beata, mas sim, por lapso, a camisa de dormir de uma amante - sobressai o sonho ou a viagem no tempo do protagonista, que, acompanhado pelo seu erudito amigo Dr.Topsius, assiste à pregação, julgamento e morte de Jesus.A obra, que exalta a figura humana de Cristo, como paradigma de amor e de bondade, foi considerada herética pelos sectores mais conservadores, por questionar a divindade de Cristo."
In webboom

(25 de Julho de 2007)
Caminhando em círculos...
É assim que me sinto depois de ler este livro. Sinto que andei em círculos que se intersectam, transformando-se numa bela e misteriosa espiral. Uma espiral que nos vai arrastando através das páginas.

Logo de início somos apresentados às personagens, mas o que se passou com elas, e mais importante, entre elas, isso só no final é que sabemos.
O que impressiona neste livro é que cada personagem (Ernst, Mylia, Theodor, Hanna, Hinnerk e Kaas) tem o seu próprio mundo, o seu próprio círculo já de si bastante complicados! Mas quando esses círculos se intersectam provocam consequências desastrosas - dor, sofrimento, doença mortal, traição, assassinato, desilusões...
Não é de todo sem querer que os capítulos são denominados conforme as personagens que nele vão aparecer. Ao olhar para o capítulo já sabemos quais os 'círculos' que se vão intersectar.
(25/07/2007)

domingo

"A vida sem amor parece não ter sentido. Todos precisamos de amar e ser amados. Mas se o amor nos traz momentos únicos de felicidade, também nos pode fazer sofrer. Um sofrimento que se instala no coração como um hóspede indesejado. A história de Teresa, Carolina e Filipa. Três mulheres com vidas totalmente diferentes e uma atitude em comum: a busca da felicidade. Fátima Lopes é um dos rostos mais conhecidos dos portugueses. Este é o seu primeiro livro."
"Amar depois de amar-te relata a história de Carolina, Filipa e Teresa que incessantemente procuram a felicidade. Neste seu primeiro livro a autora dá-nos a conhecer as histórias ficcionadas de pessoas reais com quem se foi cruzando ao longo da vida. Um livro que nos ajuda a perspectivar a vida no seu lado mais complexo e, simultaneamente, mais apaixonante: o amor."
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Devo dizer que estava um pouco renitente a ler este livro, mas gostei! Gostei bastante da primeira história, da Filipa, uma história de maus tratos físicos e psicológicos.
Gostei de ler a segunda (da Carolina) e já não gostei assim tanto de ler a terceira e última história (da Teresa). Achei-a pouco verosímil e um pouco fantasista, ao contrário da primeira.
No global devo dizer que foi uma leitura bastante agradável, ao contrário do que pensava inicialmente. Três agradáveis histórias de percalços amorosos em que a principal lição que retirei desta leitura foi: consigo AMAR-TE com o mais profundo do meu ser, mas só depois de ME AMAR!
(20 de Julho de 2007)
Um livro que começa com o seguinte excerto:
"Saudações caninófilas! E obrigado por ter deitado as mãos a este verdadeiro pedaço de História da Humanidade. A sério. Você conhece-me: eu não sou de exageros e tenho sempre plena consciência do que digo. Se digo que este livro que segura nas suas mãos é um pedaço da História da Humanidade, é porque este é mesmo o tipo de material que pede que, no fim da leitura, você pegue numa boa pá, abra um buraco relactivamente fundo na terra, coloque lá dentro esta obra e tape o buraco. Sim, este é o tipo de material que foi feito para que, daqui a uns bons anos, arqueólogos o desenterrarem e digam:
«Uau, isto - c'um caraças, uau».
Porque é assim que, desde sempre, as coisas funcionam. Porque é que acham que as grandes obras romanas são sempre descobertas debaixo de camadas de terra? Porque depois de as fazerem, os próprios romanos disseram: «Isto é bom demais, vamos enterrar - JÁ»."
O que mais poderia eu dizer? :-D
Já agora, só queria evidenciar o texto "A Igreja Católica é fixe". estava a ver que me dava um treco de tanto me rir!
(15 de Julho de 2007)

quinta-feira

O homem que se dedica a tirar dúvidas numa esquina ou aquele que vende corações são apenas duas das várias personagens interessantes e peculiares que podemos conhecer em "E se amanhã o medo".
Com este livro, incluído na colecção Outras Margens da Editorial Caminho, o jovem escritor Ondjaki regressa ao conto, género literário que já não publicava desde 2001, ano em que foi publicada a obra 'Momentos de aqui'.
São vinte os pequenos contos que constituem o livro, galardoado em 2004 com os prémios literários Sagrada Esperança e António Paulouro, e encontram-se agrupados em duas partes, às quais Ondjaki chamou 'Horas Tranquilas' e 'Conchas Escuras', expressões retiradas do romance de 1975 'Lavoura Arcaica', de Raduan Nassar.
Conto a conto, o escritor Angolano envolve-nos num imaginário africano de uma certa magia romântica muito ligada à terra e à natureza, de uma simplicidade só conhecida em obras de alguns outros autores africanos.
O escritor de apenas 28 anos, nascido em Luanda e que se licenciou em Sociologia em Lisboa, alia ao imaginário africano uma série de outras influências.
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É um livro pequenino de um autor que eu desconhecia a obra mas que achei os seus contos simplesmente deliciosos!
Gostei particularmente dos seguintes contos:
- Jangada para Longe
- Coração de porco
- A confissão do acendedor de candeeiros. (Este foi sem dúvida o meu favorito!)
- Na encruzilhada (simplesmente hilariante ;-) )
- A velha
- A filha da sogra (Dei algumas gargalhadas com este conto. Excerto: "(...) deviam atribuir-lhe um prémio. A sogra-boeing. A sogra-space-shuttle. Um prémio, sim: o Nobel da pseudo-aviação.")
(28 de Julho de 2007)

sexta-feira


TITLE: Uma Antologia de Contos
EDITION: Portugal Telecom, Lisboa, 2000; 304 p., paperback
ISBN: 9729806713
Colectânea de textos com destaque para os autores: Augustina Bessa-Luís, Alice Vieira, Carlos Quevedo, Daniel Tércio, Francisco d´Orey, Gina Sacramento, Helena Sacadura Cabral, João Barreiros, João Miguel Fernandes Jorge, Júlia Pinheiro, Laurinda Alves, Luís Filipe Silva, Manuel João Ramos, Maria Manuel Ramos Pinto, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Vale de Almeida, Rui Henriques Coimbra, Rui Zink, Sérgio Coimbra, Vicente Maria / Maria Vicente.
São vinte e um contos reunidos numa publicação da Portugal Telecom comemorativa do Ano Nacional do Livro e da Literatura (2000) de autores contemporâneos portugueses.
Gostei particularmente destes contos:
- "Dominga" de Agustina Bessa Luís,
- "Mistérios de Natal" de Alice Vieira.
Mas devo dizer que o meu preferido foi "O trabalho de casa" de Rui Zink. Simplesmente hilariante e muito irónico.
(1 de Junho de 2007)

terça-feira


Augusto Abelaira publicou o seu primeiro romance em 1959, aos 33 anos. Hoje, decorrido quase meio século, "A Cidade das Flores" continua a ser reeditada sem nada perder da enorme força da sua mensagem.
Embora para poder escapar à censura salazarista o autor tenha situado a acção em Florença, num sistema político datado - a Itália dos anos 30.
Escrita num registo muito próximo do teatro, ou até do cinema, a sua construção é admiravelmente moderna. O enredo encena as vidas de um grupo de jovens que luta pelos seus ideais e se debate com as inevitáveis contradições entre os seus impulsos juvenis e as limitações impostas pelo governo de Mussolini. A tomada de consciência de cada um dos protagonistas é, assim, delicada, pura e heróica, como só nessa idade é possível, por vezes com uma carga verdadeiramente trágica, mas nunca deixando de irradiar o esplendor renascentista da cidade onde vivem.
O amor, a arte, a amizade, o valor da intervenção, da luta política, a solidariedade são temas que atravessam todo este romance.
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Sabem quando estão a ler alguma passagem de um livro e entendem perfeitamente aquilo que o autor quis dizer?
Quando conseguem assimilar toda a grandeza das suas palavras?
Pois isto aconteceu comigo num diálogo entre duas personagens femininas (páginas 68 a 70).
(1 de Maio de 2007)

sexta-feira

"A história de uma grande paixão em tempo de guerra.
Quem sabe se a vida do capitão Afonso Brandão teria sido totalmente diferente se, naquela noite fria e húmida de 1917, não se tivesse apaixonado por uma bela francesa de olhos verdes e palavras meigas. O oficial do exército português estava nas trincheiras da Flandres, em plena carnificina da Primeira Guerra Mundial, quando viu o seu amor testado pela mais dura das provas.
Em segredo, o Alto Comando alemão preparava um ataque decisivo, uma ofensiva tão devastadora que lhe permitiria vencer a guerra num só golpe, e tencionava quebrar a linha de defesa dos aliados num pequeno sector do vale do Lys. O sítio onde estavam os portugueses.
Tendo como pano de fundo o cenário trágico da participação de Portugal na Grande Guerra, A Filha do Capitão traz-nos a comovente história de uma paixão impossível e, num ritmo vivo e empolgante, assinala o regresso do grande romance às letras portuguesas.
O Capitão Afonso Brandão mudou a sua vida quase sem o saber, numa fria noite de boleto, ao prender o olhar numa bela francesa de olhos verdes e voz de mel. O oficial comandava uma companhia da Brigada do Minho e estava havia apenas dois meses nas trincheiras da Flandres quando, durante o período de descanso, decidiu ir pernoitar a um castelo perto de Armentières. Conheceu aí uma deslumbrante baronesa e entre eles nasceu uma atracção irresistível.
Mas o seu amor iria enfrentar um duro teste. O Alto Comando alemão, reunido em segredo em Mons, decidiu que chegara a hora de lançar a grande ofensiva para derrotar os aliados e ganhar a guerra, e escolheu o vale do Lys como palco do ataque final. À sua espera, ignorando o terrível cataclismo prestes a desabar sobre si, estava o Corpo Expedicionário Português.
Decorrendo durante a odisseia trágica da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial, A Filha do Capitão conta-nos a inesquecível aventura de um punhado de soldados nas trincheiras da Flandres e traz-nos uma paixão impossível entre um oficial português e uma bonita francesa. Mais do que uma simples história de amor, esta é uma comovente narrativa sobre a amizade, mas também sobre a vida e sobre a morte, sobre Deus e a condição humana, a arte e a ciência, o acaso e o destino.
Com esta obra inesquecível, o grande romance está de volta às letras portuguesas."

In www.gradiva.pt

É a história de um português no início do século XX, com todos os percalços e desenganos da vida de um jovem daquela época. Até ao momento em que, através da lábia e mentiras de uma dita 'senhora', Afonso (a personagem principal) dá-se consigo no palco trágico da participação portuguesa na Primeira Guerra Mundial. É a partir daí que surge "(...) a comovente história de uma paixão impossível entre um oficial português e uma baronesa francesa."

Gostei bastante de ler este livro, apesar de haver certos momentos em que tive de 'me empurrar' a ler a história toda e sem avançar nada. É uma ´história bela, bem contextualizada embora o autor, por vezes, comece a falar de outros assuntos (Freud, psicanálise, Pasteur,...) e se 'perca' da história que está a contar.

(23/03/2007)