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segunda-feira

Sinopse:
Esta é a história verídica e comovente da relação entre uma professora que ensina crianças com dificuldades mentais e emocionais e a sua aluna, Sheila, de seis anos, abandonada por uma mãe adolescente e que até então apenas conheceu um mundo onde foi severamente maltratada e abusada.
Relatada pela própria professora, Torey Hayden, é uma história inspiradora, que nos mostra que só uma fé inabalável e um amor sem condições são capazes de chegar ao coração de uma criança aparentemente inacessível.
Considerada uma ameaça que nenhum pai nem nenhum professor querem por perto de outras crianças, Sheila dá entrada na sala de Torey, onde ficam as crianças que não se integram noutro lugar. É o princípio de uma relação que irá gerar fortes laços de afecto entre ambas, e o início de uma batalha duramente travada para esta criança desabrochar para uma vida nova de descobertas e alegria.
Desde a sua publicação, em 1980, o livro já vendeu 8 500 000 exemplares no Reino Unido e foi traduzido em 27 línguas, tendo sido um bestseller em vários países.


A autora:
Torey Hayden nasceu em 1951, em Livingston, Montana, nos EUA. Possui formação e uma longa experiência nas áreas da psicologia e educação e tem trabalhado sobretudo no ensino especial. A partir de 1979 começou a escrever as suas experiências como educadora, que deram origem a vários bestsellers. Mãe de uma menina, vive e escreve actualmente em North Wales, no Reino Unido. Possui uma página na internet.


A minha opinião:
Há tanta coisa que eu devia dizer sobre este livro. É a sua leitura é tão maravilhosa que me faltam palavras para traduzir o que senti ao lê-lo e mesmo o que sinto agora!
Nunca mais olharei da mesma forma para: travessões de criança, a obra "O Principezinho", ... m&m's (risos, risos...)
O que um gesto de amor e carinho, paciência e sinceridade podem fazer! É absolutamente incrível!
Este foi sem dúvida, até agora, o melhor livro que li este ano!
(21 de Outubro de 2007)

domingo


Sinopse:
"«Depois da projecção do filme, ela chega para um debate. Naquela altura era moda, os realizadores virem falar com o público, era preciso fazer debates. Quero comprar um ramo de flores enorme. Não tenho coragem. Tenho vergonha. Como oferecer as flores perante um sala cheia, como afrontar os sorrisos, as graçolas e as roçazinhas? Não compro flores. Levo no bolso o Détruire, dit-elle. Tenho esperanças de um autógrafo. As luzes reacendem-se. E ela está ali.»
Yann Andréa bateu à porta de Marguerite Duras no Verão de 1980, em Trouville, depois de lhe ter enviado inúmeras cartas durante cinco anos. Desde então, nunca mais se separaram. Dezasseis anos de vida em comum entre um «monstro» da literatura e o seu amante, o último, o preferido. Entre eles houve Aquele Amor, que Yann Andréa procurou perpetuar para além da morte."

Comentário:
Quando Yann Andréa bateu com os olhos no nome Duras foi para sempre. Foi no princípio da década de 70, ao encontrar, no apartamento do liceu, a obra Os Pequenos Cavalos de Tarquínia. Leu e releu todos os seus livros, leu intensamente todas as palavras. Na primeira vez que a viu, em 1975, teve a confirmação de que nunca mais a deixaria. Escreveu-lhe cartas atrás de cartas, até que, em 1980, ganhou coragem e bateu à sua porta em Trouville. Desde aí, nunca mais se separaram. Viveram 16 anos em comum até ao último suspiro do grande "monstro" da literatura. É essa história de paixão e obsessão que Yann Andréa resolveu tornar pública, num livro que retrata aquele amor e que pretende ser a sua derradeira carta de amor a Marguerite Duras.

Excertos:
"Continuo em ter dificuldade em dizer a palavra. Não conseguia dizer o nome dela. Só escrevê-lo. Nunca conseguí tratá-la por “tu”. Por vezes ela teria gostado. Que eu a tratasse por “tu”, que a chamasse pelo seu nome. Não me saía da boca, não conseguia. (...) E essa impossibilidade de a chamar pelo nome, acho que vem disto: primeiro li o apelido, olhei para o apelido, o nome e o apelido. E esse nome encantou-me imediatamente. Esse pseudónimo literário. Esse apelido emprestado. Esse nome de autor. Esse nome agradava-me simplesmente. Esse nome agrada-me infinitamente (...)
Sou um leitor. O leitor primordial, visto amar todas as palavras, integralmente, sem qualquer contenção. E esse nome de cinco letras, DURAS, amo-o absolutamente. Caiu-me em cima. Nunca mais a deixei e não a consigo deixar. Nunca. E ela também não."


"Você morreu a 3 de Março de 1996 às 8 horas e 15, na sua cama, na rua Saint-Benoît. Eu não vim. Deixei-a. Você morreu. Eu não. Eu fiquei cá e estou aqui a escrever-lhe. E isto fá-la rir: mas por quem é que ele se toma, por um escritor, esta agora. Você ri. E diz: não tem mais nada para fazer, só escrever, não interessa o quê, continue, tem um tema maravilhoso, um tema de ouro, sou eu que lho digo, vá, pare de se armar em parvo, escreva, não vale a pena matar-se, não se faça de imbecil.
Qual é o tema.
E então aparece o sorriso. A sua cara torna-se numa cara de criança, uma criança que sabe, que sabe tudo na inocência perfeita de um ser inaudito. Nesse sorriso da cara toda, da cabeça toda, do espírito todo, do coração todo, poder-se-ia dizer, você diz: o tema sou eu."

"Se calhar não devia ter dormido, se calhar devia tê-la ouvido mais, estar mais presente, amar mais, nunca o fazemos o suficiente, não podemos imaginar que o último dia está muito próximo, não podemos porque você fala noites a fio, deveríamos, sim, fazer mais, mas o quê, inventar uma espécie de amor ainda maior do que aqueles livros, mas como fazê-lo, como é possível. Certas noites eu queria dormir e dizia-lhe para se ir embora, para ir para o seu quarto, sozinha perante a morte, certas noites já não aguentava mais, mandava-a embora, fazia-o e nunca uma queixa, ia para o seu quarto furiosa à espera de morrer. No dia seguinte voltava.
Estamos sozinhos fechados neste apartamento da rua Saint-Benoît. Esperamos pelo último dia. Só sabemos isso."

A minha opinião:
Esta é a última e derradeira carta de amor desta relação intensa e tempestuosa. Uma tentativa de expressão dos acontecimentos e sentimentos sentidos por Yann Andréa aquando da sua relação com a grande escritora Marguerite Duras. Uma expressão algo caótica de descrições e expressões.
Achei muito interessante este ponto de vista em primeira mão de um relacionamento amoroso com uma autora conhecida mundialmente, mas por vezes senti que o autor era um pouco melodramático demais ao retratar-se como o pobre coitadinho à mercê das vontades de uma mulher confiante e poderosa no seu mundo.
Talvez por ter iniciado a leitura deste livro com elevadas expectativas eu própria tenha ficado insatisfeita com o que o livro me transmitiu. Emboa não possa, de maneira alguma, diminuir a extrema beleza de algumas frases (ver excertos).
(6 de Outubro de 2007)
"«Passei um cheque, meti-a debaixo do casaco (...) e levei-a para casa. Tina encontrado o meu exemplar de cão-de-água. É claro que, bem no íntimo, sabia que era precisamente o contrário. Aquela cadela tinha-se deixado estar muito sossegada (...) na jaula, unicamente à cata de pais. Tinha-me encontrado a mim!»"
E assim principia o grande romance de amor entre a linda cadela que era Josephine e a sua dona, uma famosa escritora americana. É claro que em todas as relações amorosas há sempre um parceiro que domina. A autoridade de Josephine nem por um momento foi posta em causa. Até o marido de Jacqueline foi obrigado a render-se aos encantos da Josephine...

No estilo extraordinariamente vivo e espirituoso que fez dos seus livros autênticos êxitos internacionais, Jacqueline Susann dá-nos com esta obra uma outra faceta do seu talento de grande escritora.
Na diversidade do tema, o leitor não deixará de reconhecer, contudo, a capacidade de expressão manifestada em «Uma vez não basta» e «O vale das bonecas» (nº 132 e 140 desta colecção)."

A minha opinião:
Uma escrita bem-humorada sobre as peripécias de uma cadela cão-de-água (Josephine) e a sua dona, a escritora Jacqueline Susann.Gostei muito de relaxar a ler e rir de certos acontecimentos pelas quais elas passaram...
Uma leitura extremamente leve, ideal para desanuviar a cabeça.
(4 de Outubro de 2007)
Um livro que começa com o seguinte excerto:
"Saudações caninófilas! E obrigado por ter deitado as mãos a este verdadeiro pedaço de História da Humanidade. A sério. Você conhece-me: eu não sou de exageros e tenho sempre plena consciência do que digo. Se digo que este livro que segura nas suas mãos é um pedaço da História da Humanidade, é porque este é mesmo o tipo de material que pede que, no fim da leitura, você pegue numa boa pá, abra um buraco relactivamente fundo na terra, coloque lá dentro esta obra e tape o buraco. Sim, este é o tipo de material que foi feito para que, daqui a uns bons anos, arqueólogos o desenterrarem e digam:
«Uau, isto - c'um caraças, uau».
Porque é assim que, desde sempre, as coisas funcionam. Porque é que acham que as grandes obras romanas são sempre descobertas debaixo de camadas de terra? Porque depois de as fazerem, os próprios romanos disseram: «Isto é bom demais, vamos enterrar - JÁ»."
O que mais poderia eu dizer? :-D
Já agora, só queria evidenciar o texto "A Igreja Católica é fixe". estava a ver que me dava um treco de tanto me rir!
(15 de Julho de 2007)

segunda-feira

"Não é apenas desde o 11 de Setembro que Carmen Bin Ladin se manifesta contra o fundamentalismo islâmico. Quando chegou à Arábia Saudita como noiva de Yeslam Bin Laden, o décimo irmão de Osama, tratou de tudo para não ter de ali viver. No entanto, ao terminar os estudos superiores nos Estados Unidos, o seu marido regressou à pátria. Passou a dirigir os negócios da família. A vida alterou-se completamente para Carmen Bin Ladin. Até ali tinha sido para o marido uma companheira com direitos iguais, mas com o regresso à Arábia Saudita ele alterou completamente o seu comportamento.
Durante nove anos Carmen Bin Ladin suportou a repressão a que era submetida. Começou também a temer pelas filhas. Lutou, e conseguiu, para que a família vivesse durante algum tempo na Suíça. Quando o casamento com Yeslam se tornou insustentável, ela permaneceu aí com as suas filhas. Estas são livres, mas mantêm o apelido."
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Excerto: "Numa noite quinta-feira em 1978, todos os diplomatas falavam do último boato a circular por Gidá. Uma das jovens sobrinhas-netas do rei, a princesa Mish'al, fora cruelmente assassinada num parque de estacionamento da baixa da cidade.
Praticamente uma adolescente, estava prometida em casamento a um homem muito mais velho. Tentara fugir do país com o rapaz de quem gostava, servindo-se dum passaporte falso, mas fora apanhada no aeroporto.
(...) Apesar disso, Mish'al foi apanhada, não sei como. E o avô dela, o príncipe Mohamed, irmão do rei Khaled, mandou matá-la por ter envergonhado a família. O rei Khaled aparentemente resistiu à ordem do irmão, mas este insistiu na morte da neta, e era ele o patriarca do clã. Não houve julgamento, segundo me disseram. Mish'al foi morta com seis tiros num parque de estacionamento." (página 87)
Este livro não é uma obra prima da literatura, mas sim um poderoso e precioso testemunho de um passado que se reflecte no nosso presente.
Para mim foi muito importante ler este livro, pois desconhecia muitos factos da história política e social do Médio Oriente. Percebo agora, mais claramente, como é que o terrorismo chegou a este ponto de relevância nos dias de hoje.
Ao longo deste livro fui-me apercebendo da minha imensa ignorância quanto aos factos históricos que levaram ao 11 de Setembro de 2001.
A autora conseguiu conciliar factos sociais, políticos e religiosos com os pessoais, o que torna este livro numa leitura muito agradável e educativa. Fiquei abismada com a importância de as mulheres vestirem abayas; revoltei-me com a ideia de uma mutawa (uma espécie de PIDE religiosa extremista); que a palavra árabe para mulher é hormah que vem da palavra haram (tabu); que quase tudo o que as mulheres ocidentais fazem no dia-a-dia é haran (pecado) e se não é haran é abe (vergonhoso)...
Costuma-se dizer que ler é aprender e eu aprendi muito com esta leitura!
(2 de Julho de 2007)

sexta-feira


O livro é constituído por três partes, três textos que não são mais do que discursos que o autor apresentou em conferências.
O primeiro texto refere-se aquando de uma conferência a 23 de Janeiro de 2002, onde Amos Oz começa a explicar o porquê de ele ser um especialista em fanatismo, dizendo mesmo que "A minha pópria infância em Jerusalém tornou-me especialista em fanatismo comparado" (pág. 9). Depois começa a caracterizar o 'fanático' e qual a melhor estratégia para lutar contra o fanatismo/fanático, ou mesmo a melhor estratégia para o 'conter um pouco'.
O segundo texto refere-se ao conflito palestiniano-israelita. Os 'porquês', os 'onde' e os 'quandos' desta luta por um país - a Palestina. Chegando mesmo a propor uma solução para o fim deste conflito, mas sem deixar de referir quais as consequências que esta 'solução' teria.
No terceiro e último texto (conferência de 17 de Janeiro de 2002), o escritor explica porque é que se tornou escritor - "(...) por causa da pobreza, da solidão e dos gelados (...)". :-)
(24 de Maio de 2007)

terça-feira


Souad tinha dezassete anos e estava apaixonada. Na sua aldeia da Cisjordânia, como em tantas outras, o amor antes do casamento era sinónimo de morte.
Tendo ficado grávida, um cunhado é encarregado de executar a sentença: regá-la com gasolina e chegar-lhe fogo. Terrivelmente queimada, Souad sobrevive por milagre. No hospital, para onde a levam e onde se recusam a tratá-la, a própria mãe tenta assassiná-la.
Hoje, muitos anos depois, Souad decide falar em nome das mulheres que, por motivos idênticos aos seus, ainda arriscam a vida. Para o fazer, para contar ao mundo a barbaridade desta prática, ela corre diariamente sérios perigos, uma vez que o "atentado" à honra da sua família é um "crime" que ainda não prescreveu.
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Devo dizer que demorei a pegar neste livro, mas mal peguei nele simplesmente devorei-o! Não estava à espera deste tipo de escrita. Se calhar esperava uma história mais romanceada, mais 'soft on the edges', não uma escrita directa, rápida de se assimilar, quase com se de uma conversa frente a frente com a autora se tratasse.
É incrível o que o ser humano pode suportar em termos de agressões físicas e psicológicas. Para mim é impensável que uma mulher tenha passado por tantas torturas e cueldades inflingidas por outros 'seres humanos', sendo estas mesmas crueldades justificadas com a 'tradição'.
Excerto: "Eu não assisti porque não tinha o direito de estar com eles.Nem sequer devia dizer «Eu não tinha o direito», porque tal coisa não existe. É a tradição, é assim e pronto. Se o teu pai te disser «Não saias desse canto a vida inteira», tu ficas nesse canto toda a vida. Se o teu pai te puser uma azeitona no prato e te disser «Hoje não comes mais nada», tu não comes mais nada. É muito difícil abandonar essa pele de escrava consentida, porque se nasce com ela quando se é rapariga e, durante toda a infância essa forma de não-existência, de obedecer ao homem e à sua lei, é cultivada ininterruptamente, pelo pai, pela mãe, pelo irmão, e a única saída, que consiste em casar, vai perpetuá-la com o marido.
(...)Não havia aniversários nem fotografias, era uma vida mesquinha de um animalzinho que come, que trabalha o mais depressa possível, que dorme e que apanha pancada."
Dizer mais o quê, depois deste excerto? Só mesmo lendo o livro!
(22 de Maio de 2007)