quinta-feira

O homem que se dedica a tirar dúvidas numa esquina ou aquele que vende corações são apenas duas das várias personagens interessantes e peculiares que podemos conhecer em "E se amanhã o medo".
Com este livro, incluído na colecção Outras Margens da Editorial Caminho, o jovem escritor Ondjaki regressa ao conto, género literário que já não publicava desde 2001, ano em que foi publicada a obra 'Momentos de aqui'.
São vinte os pequenos contos que constituem o livro, galardoado em 2004 com os prémios literários Sagrada Esperança e António Paulouro, e encontram-se agrupados em duas partes, às quais Ondjaki chamou 'Horas Tranquilas' e 'Conchas Escuras', expressões retiradas do romance de 1975 'Lavoura Arcaica', de Raduan Nassar.
Conto a conto, o escritor Angolano envolve-nos num imaginário africano de uma certa magia romântica muito ligada à terra e à natureza, de uma simplicidade só conhecida em obras de alguns outros autores africanos.
O escritor de apenas 28 anos, nascido em Luanda e que se licenciou em Sociologia em Lisboa, alia ao imaginário africano uma série de outras influências.
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É um livro pequenino de um autor que eu desconhecia a obra mas que achei os seus contos simplesmente deliciosos!
Gostei particularmente dos seguintes contos:
- Jangada para Longe
- Coração de porco
- A confissão do acendedor de candeeiros. (Este foi sem dúvida o meu favorito!)
- Na encruzilhada (simplesmente hilariante ;-) )
- A velha
- A filha da sogra (Dei algumas gargalhadas com este conto. Excerto: "(...) deviam atribuir-lhe um prémio. A sogra-boeing. A sogra-space-shuttle. Um prémio, sim: o Nobel da pseudo-aviação.")
(28 de Julho de 2007)

A recordação que mais a assombra é a do dia em que a árvore do quintal foi cortada, era ainda criança, de como foi brutalmente dilacerada, como as suas raízes, teimando não deixar a terra, foram arrancadas como se de um troféu se tratassem. Anos decorridos, numa alma em que habita ressentimento, em que a dor é uma condição para se sentir viva, tudo se despedaçou na vida da protagonista como a árvore cortada da sua infância, e é por sentir que também algo lhe falta, lhe foi truncado, que ela decide partir por um caminho de perguntas, em busca de si própria através dos trilhos sinuosos da história da sua família, aquela que é também a sua história. Ao longo das páginas deste livro que ressuscita as personagens do bestseller Vai Aonde Te Leva o Coração, diversas gerações entrelaçam-se como os ramos da árvore, e a voz que se faz escutar, tacteando ao longo do tronco, em busca das raízes que a abraçam e estrangulam, vai descobrir que a sua demanda é acima de tudo coroada pelo afecto a seiva unificadora, que obrigará a árvore a voltar-se para a luz independentemente dos obstáculos...
Excertos:
"Não há mistério maior do que o minúsculo. É aí, sob a protecção do invisível, que se dá a explosão do secreto. Uma pedra, antes de ser uma pedra, é sempre uma pedra, mas uma árvore, antes de ser uma árvore é uma semente; o homem, antes de ser um homem, é uma mórula.
É no limite, na circunscrição que, dormitamos maiores projectos; o que separa o dentro do fora possibilita a evolução.
Por isso, percebi logo que era preciso cuidar do que é pequeno." (página 8/9)
"Uma rosa atrai o olhar, o olfacto, mas depois corta-se, acaba num vaso e, a seguir, no lixo. A árvore amada, pelo contrário, cria raízes à volta do nosso próprio coração, e quando ela morre, as raízes secam e caem, dexando em sua memória cicatrizes minúsculas mas indeléveis." (página 10)
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Definitivamente não consigo adorar um livro desta autora! Não sei porquê! :-(
Acho que ela, neste livro, melhorou muito a sua escrita e tem pensamentos e frases escritas que são muito boas mas o livro no seu todo não me agradou a 100%
Este livro encontra-se dividido em três partes principais.
A primeira parte, que não tem denominação específica, e foi, para mim, a mais difícil. Não foi difícil de ler, mas sim de gostar. Lembrava-me demasiado da primeira obra que li desta autora - "Vai aonde te leva o coração" - e só pensava que isto era apenas uma repetição do outro livro.
A segunda parte, chamada "Genealogias", foi, para mim, a mais agradável de ler, e aque me espevitou a curiosidade de ler o resto do livro. É a parte da história em que a personagem principal lê os diários da mãe, à muito falecida, e encontra uma pessoa que para ela sempre foi uma incógnita, uma variável imprevisível na sua vida... o seu pai.
A terceira e última parte é chamada de raízes.
Conta a viagem da personagem principal até Haifa e a sua busca pelo único familiar ainda vivo que poderia lançar algum entendimento no passado familiar. Passado familiar este que foi, para a personagem familiar, sempre constituído de conflitos, confusões sentimentais e não só, e, de incompreensão.
No geral sinto que havia muita coisa mais a explicar, muitos acontecimentos não relatados, muitos sentimentos declarados mas não esmiuçados.
Não sei... sinto que esta foi, para mim, uma leitura incompleta. Queria mais... muito mais!
(27 de Julho de 2007)

domingo

"«'Seria uma pena', pensou 'se o ganso se fosse embora. Seria uma grande perda para o pai e para a mãe se tivesse partido quando chegassem da igreja.'
Ao pensar isto, mais uma vez se esqueceu totalmente de como era pequeno e impotente. Deu um salto para o meio do bando de patos e pôs os braços à volta do pescoço do ganso.
- Oh não! Desta vez não vais! - gritou.
Mas nesse mesmo instante o ganso descobrira o que devia fazer para se erguer do solo. Não conseguiu libertar-se do rapaz e, por isso, Nils voou com ele.»

Assim começou a espantosa viagem de Nils Holgersson através da Suécia. Nesta história encantadora da escritora sueca Selma Lagerlöf (Prémio Nobel em 1909) está presente o mesmo toque mágico que nos comove em 'O Pricipezinho' e o maravilhoso das fábulas de La Fontaine.
Nils Holgersson, transformado em gnomo, parte para a aventura nas costas de um ganso. Com ele, partimos também nós para uma viagem pelas melhores recordações da infância."

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Num registo claramente de fábula e encantamento, a autora levou-me numa viagem pela Suécia da sua infância. Absolutamente maravilhosas são as suas descrições, quer de zonas e localidades, quer de usos e costumes.
Será dizer pouco que fiquei com MUITA pena de não ter lido este livro quando tinha 9 a 14 anos! Com toda a certeza que me teria enriquecido muito!
Selma Lagerlöf... um nome a reter, a ler e reler!
(24 de Junho de 2007)

quarta-feira

"With her evocative bestsellers The Shell Seekers and Coming Home, Rosamunde Pilcher opened your heart to the extraordinary powers of love, heartbreak, and joy. Now she invites you to share the full spectrum of life's moods and emotions through her very first collection of stories. From a child's first knowledge of death, through city and country, to an elderly woman's newfound freedom, The Blue Bedroom is a welcoming experience full of the honesty and warmth unique to Rosamunde Pilcher."
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This is a series of short-stories by Rosamunde Pilcher.
This stories are all about feelings and real life situations, that's why I think I liked so much!
The short stories that make this book are:
1- Toby
2- Home for the day
3- Spanish Ladies
4- Miss Cameron at Christmas
5- Tea with the Professor
6- Amita
7- The Blue Bedroom
8- Gilbert
9- The Before-Christmas Present
10- The White Birds
11- The tree
12- The House on the Hill
13- An evening to remember.
My favourite ones were stories number 1,2, 4 and 6.
(12 de Junho de 2007)

sexta-feira


TITLE: Uma Antologia de Contos
EDITION: Portugal Telecom, Lisboa, 2000; 304 p., paperback
ISBN: 9729806713
Colectânea de textos com destaque para os autores: Augustina Bessa-Luís, Alice Vieira, Carlos Quevedo, Daniel Tércio, Francisco d´Orey, Gina Sacramento, Helena Sacadura Cabral, João Barreiros, João Miguel Fernandes Jorge, Júlia Pinheiro, Laurinda Alves, Luís Filipe Silva, Manuel João Ramos, Maria Manuel Ramos Pinto, Miguel Esteves Cardoso, Miguel Vale de Almeida, Rui Henriques Coimbra, Rui Zink, Sérgio Coimbra, Vicente Maria / Maria Vicente.
São vinte e um contos reunidos numa publicação da Portugal Telecom comemorativa do Ano Nacional do Livro e da Literatura (2000) de autores contemporâneos portugueses.
Gostei particularmente destes contos:
- "Dominga" de Agustina Bessa Luís,
- "Mistérios de Natal" de Alice Vieira.
Mas devo dizer que o meu preferido foi "O trabalho de casa" de Rui Zink. Simplesmente hilariante e muito irónico.
(1 de Junho de 2007)

quinta-feira


"Kazuo Ishiguro nasceu em Nagasaki em 1954 e veio para Inglaterra em 1960.
Tendo ganho o prémio Whitebread Book of the Year com este romance, veio a ser contemplado em 1989 com o Booker Prize, um dos mais conceituados prémios literários britânicos.
Um artista do Mundo Transitório é uma obra requintada e subtil, visão retrospectiva de uma vida onde se confrontam com delicada lucidez a ambição e a integridade, a arte e a política, o passado e o presente."
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Este livro é simplesmente o 'diário verbal' da personagem principal - Masuji Ono. Um artista deste mundo eternamente transitório, deste presente sempre fugaz e de um passado sempre presente.
Ono começa por desabafar o seu relacionamento com as duas filhas, uma delas casada, com um filho que o avô tenta se ligar emocionalmente apesar de o neto só o ir visitar uma vez por ano, e cujo marido, apesar de nunca 'entrar' em cena, está sempre presente nas acções e palavras da esposa. A outra filha encontra-se numa situação difícil, pois pretende arranjar um marido e o pós-guerra em que vivem apenas dificulta este propósito.
É um livro agradável de se ler. Fiquei com a sensação de ser uma leitura 'leve' ao olhar mais distraído mas com uma riqueza infindável para o leitor mais atento.
No fim compreende-se perfeitamente o porquê deste título e apercebemo-nos que ao longo de todo o livro o autor e o narrador explicavam-nos a essência da 'propriedade transitória' deste mundo.
(31 de Maio de 2007)

sexta-feira


O livro é constituído por três partes, três textos que não são mais do que discursos que o autor apresentou em conferências.
O primeiro texto refere-se aquando de uma conferência a 23 de Janeiro de 2002, onde Amos Oz começa a explicar o porquê de ele ser um especialista em fanatismo, dizendo mesmo que "A minha pópria infância em Jerusalém tornou-me especialista em fanatismo comparado" (pág. 9). Depois começa a caracterizar o 'fanático' e qual a melhor estratégia para lutar contra o fanatismo/fanático, ou mesmo a melhor estratégia para o 'conter um pouco'.
O segundo texto refere-se ao conflito palestiniano-israelita. Os 'porquês', os 'onde' e os 'quandos' desta luta por um país - a Palestina. Chegando mesmo a propor uma solução para o fim deste conflito, mas sem deixar de referir quais as consequências que esta 'solução' teria.
No terceiro e último texto (conferência de 17 de Janeiro de 2002), o escritor explica porque é que se tornou escritor - "(...) por causa da pobreza, da solidão e dos gelados (...)". :-)
(24 de Maio de 2007)

terça-feira


Souad tinha dezassete anos e estava apaixonada. Na sua aldeia da Cisjordânia, como em tantas outras, o amor antes do casamento era sinónimo de morte.
Tendo ficado grávida, um cunhado é encarregado de executar a sentença: regá-la com gasolina e chegar-lhe fogo. Terrivelmente queimada, Souad sobrevive por milagre. No hospital, para onde a levam e onde se recusam a tratá-la, a própria mãe tenta assassiná-la.
Hoje, muitos anos depois, Souad decide falar em nome das mulheres que, por motivos idênticos aos seus, ainda arriscam a vida. Para o fazer, para contar ao mundo a barbaridade desta prática, ela corre diariamente sérios perigos, uma vez que o "atentado" à honra da sua família é um "crime" que ainda não prescreveu.
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Devo dizer que demorei a pegar neste livro, mas mal peguei nele simplesmente devorei-o! Não estava à espera deste tipo de escrita. Se calhar esperava uma história mais romanceada, mais 'soft on the edges', não uma escrita directa, rápida de se assimilar, quase com se de uma conversa frente a frente com a autora se tratasse.
É incrível o que o ser humano pode suportar em termos de agressões físicas e psicológicas. Para mim é impensável que uma mulher tenha passado por tantas torturas e cueldades inflingidas por outros 'seres humanos', sendo estas mesmas crueldades justificadas com a 'tradição'.
Excerto: "Eu não assisti porque não tinha o direito de estar com eles.Nem sequer devia dizer «Eu não tinha o direito», porque tal coisa não existe. É a tradição, é assim e pronto. Se o teu pai te disser «Não saias desse canto a vida inteira», tu ficas nesse canto toda a vida. Se o teu pai te puser uma azeitona no prato e te disser «Hoje não comes mais nada», tu não comes mais nada. É muito difícil abandonar essa pele de escrava consentida, porque se nasce com ela quando se é rapariga e, durante toda a infância essa forma de não-existência, de obedecer ao homem e à sua lei, é cultivada ininterruptamente, pelo pai, pela mãe, pelo irmão, e a única saída, que consiste em casar, vai perpetuá-la com o marido.
(...)Não havia aniversários nem fotografias, era uma vida mesquinha de um animalzinho que come, que trabalha o mais depressa possível, que dorme e que apanha pancada."
Dizer mais o quê, depois deste excerto? Só mesmo lendo o livro!
(22 de Maio de 2007)

domingo


'Na minha morte' é a história às vezes cómica, à vezes grotesca do esforço decidido de uma humilde família rural para cumprir a promessa que o pai fez à esposa moribunda: Addie Bundren deseja ser enterrada junto à sua família, a cerca de 80 quilómetros de onde mora. Esta viagem, atrasada pelas inundações e pelo fogo e seguida por uma crescente nuvem de moscardos, demora nove dias.
Durante toda a sua absurda e quixotesca prova, os membros da família demonstram um profundo respeito pelo desejo da mãe, mas também eles têm os seus próprios desejos e talvez os possam satisfazer nesta oportunidade de visita à cidade.
Recorrendo ao monólogo interior e alternado de quinze narradorescom vários grau sde coerência e intensidade emocional, William
Faulkner explora aqui com grande intensidade a natureza da dor, da comunidade e da família.

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A história é relatada pelas personagens, sendo o livro apresentado sob a forma de pequenos relatos sobre o que aconteceu, sob os mais diversos pontos de vista.
Ao longo do livro vêem-se acontecer os mais diversos infortúnios a esta família, que no início, pensamos que apenas estão a fazer esta dura e longa viagem para respeitar o desejo a falecida mãe da família Bundren.
No entanto, vai-se lentamente descobrindo que esta viagem tem um outro propósito, uma finalidade muito mais egoísta e individualista do que poderíamos pensar!

(20 de Maio de 2007)

terça-feira


'Não há dúvida que ler Ruth Rendell é um acto sempre cheio de surpresas. "A Mulher com Véu", romance em que através do inspector Wexford a autora faz passar múltiplos fios que se cruzam, é mais uma vez uma história ao mesmo tempo sombria, emocionante e certeira, que se lê apaixonadamente.
De Ruth Rendell a Caminho de Bolso já publicou os notáveis livros que são "A árvore das Mãos", "Um Bando de Corvos", "Carne Eléctrica" e "Boneca Assassina".'
"(...) podia ter morto sem motivação, ou sem o género de motivação que seria compreensível para um homem racional. Por exemplo, supondo que não encontrara um cadáver e julgara que era o da sua mãe, mas sim que vira uma mulher que lhe lembrara a mãe nos seus piores aspectos e por essa razão matara."
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Gwen Robson, a vítima, tratava-se de uma mulherzinha sem escrúpulos, interesseira e chantagista. Tendo por isso, supostamente, muitos inimigos- quase toda a população!
Após um normal dia da semana em que Gwen se dirigira ao centro comercial, esta aparece brutalmente assassinada no parque de estacionamento do mesmo, estando o seu corpo oculto por uma mortalha suja de veludo castanho. Mas afinal quem era a mulher jovem 'bem vestida' que tinha sido vista a falar com a vítima momentos antes de ter sido assassinada?
A investigar este estranho caso estão os detectives Burden e Wexford. Mas logo no início da investigação Wexford torna-se uma vítima de uma bomba que estava no carro da sua filha. Apesar de escapar com vida, mas com bastantes ferimentos, é Wexford que no fim desvenda toda a motivação deste horrendo crime e o verdadeiro assassino.
Por seu lado, o detective Burden considera como principal suspeito um homem que foi visto a fugir apressadamente do local do assassínio (Clifford Sanders). Clifford é um homem adulto mas que se veste e que se comporta como um adolescente da década de 50. Clifford tem uma mãe demasiado protectora (ao nível da asfixia), a qual tem, além de um passado muito mal explicado, muito mais a esconder e proteger do que o que demonstra inicialmente. Uma relação mãe-filho completamente anormal, em que a mãe não ama o seu filho e este apenas odeia profundamente a sua mãe.
Excerto:
"Tinham estado a sair peões, esporadicamente, desde que Archie ali se sentara às quatro horas. A sua respiração embaciara o vidro e ele limpou-o com a manga do casaco, afastando o braço a tempo de ver alguém sair pelos portões a correr. Era um homem novo- um rapaz para ele-, de mãos vazias, correndo como se todos os demónios do Inferno fossem atrás de si.
(...) a mulher reapareceu, caminhando agora de um modo sorrateiro e decidido de um gato rumo à presa.
Quando chegou aos portões, agarrou-os (...) parecia só agora ter tomado consciência de que o cadeado estava fechado e ela não tinha a chave para o abrir, e começou a sacudir os portões. Os seus olhos não estavam postos nele, mas sim na cabine telefónica, que se encontrava apenas a alguns metros de distância, mas arreliadoramente, do lado de fora dos portões.
(...) -Tenho de telefonar à polícia! Está ali uma pessoa morta. tenho de telefonar à polícia... está ali uma mulher a quem tentaram cortar a cabeça!"
(15 de Maio de 2007)

quarta-feira


"Uma obra-prima de humor e observação.A chegada do nacional-socialismo a uma aldeia perdida e tranquila. Um pequeno mundo que, por acidente, desperta e descobre que Deus ali dormia.
Tradução da versão francesa por José Saramago."
"Se Deus também dorme, se tem, por vezes, de procurar a calma e o repouso, é aqui que o pode encontrar, neste canto perdido da terra masuriana."
Tudo se inicia com uma morte de causas suspeitas na eterna calmaria de Maulen. Após este acontecimento dá-se uma torrente de acontecimentos: a chegada de um novo gendarme (Thiele), com a sua filha, decidido a restabelecer a ordem e a descobrir o suposto autor do suposto assassínio; a suspeita de um negro segredo que o filho ( Alfred) do chefe local (Leberecht) possui, ...
A tudo isto se adiciona a chegada dos ideais do nacional-socialismo.

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Este um livro que foi uma excelente surpresa! Não conhecia o autor e nunca tinha lido nada dele, por isso não sabia bem o que esperar.

Após ler as primeiras páginas pensei - "Ai que vai ser um livro de espionagem nazi e eu não gosto nada de livros de espionagem". Mas depois das primeiras 100 páginas a leitura começou a ser muito mais agradável com novas surpresas ao virar de cada página. Escusado será dizer que gostei muito deste livro. E penso que se toda a gente lhe der uma oportunidade, verá que se trata de uma excelente leitura.

É que este livro tem de tudo: romance, intriga, mistério, um pitada de policial...É só ler este pequeno excerto a respeito da investigação de um suposto assassinato na localidade de Maulen:

"(...) De uma maneira ou de outra, é preciso cortar estes laços sufocantes. Não há outra solução para mim, para nós. Por minha vez, peço-lhe o seu auxílio. Está pronto a cumprir a sua promessa? Dê-me o nome do culpado.

- Negociemos primeiro -disse Leberecht, tentando sorrir.- Ou antes: conceda-me um favor que compensará o serviço prestado.

-Um favor?(...)

- E se eu aceitar?

- Pouco depois, a pessoa que matou Materna apresentar-se-á em sua casa, prometo-lhe. Ela lhe dirá tudo o que quer saber. E se, depois disso, o senhor persistir na sua intenção de levar o caso até ao fim, terá toda a liberdade de agir.(...)"

Um livro a ler até ao fim!

(9/05/07)

terça-feira


Augusto Abelaira publicou o seu primeiro romance em 1959, aos 33 anos. Hoje, decorrido quase meio século, "A Cidade das Flores" continua a ser reeditada sem nada perder da enorme força da sua mensagem.
Embora para poder escapar à censura salazarista o autor tenha situado a acção em Florença, num sistema político datado - a Itália dos anos 30.
Escrita num registo muito próximo do teatro, ou até do cinema, a sua construção é admiravelmente moderna. O enredo encena as vidas de um grupo de jovens que luta pelos seus ideais e se debate com as inevitáveis contradições entre os seus impulsos juvenis e as limitações impostas pelo governo de Mussolini. A tomada de consciência de cada um dos protagonistas é, assim, delicada, pura e heróica, como só nessa idade é possível, por vezes com uma carga verdadeiramente trágica, mas nunca deixando de irradiar o esplendor renascentista da cidade onde vivem.
O amor, a arte, a amizade, o valor da intervenção, da luta política, a solidariedade são temas que atravessam todo este romance.
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Sabem quando estão a ler alguma passagem de um livro e entendem perfeitamente aquilo que o autor quis dizer?
Quando conseguem assimilar toda a grandeza das suas palavras?
Pois isto aconteceu comigo num diálogo entre duas personagens femininas (páginas 68 a 70).
(1 de Maio de 2007)

domingo


Referido pelo The Times como «um dos melhores livros de 2003» "O Estranho Caso do Cão Morto" é muito divertido.
Conta a história de Christopher Boone, um miúdo autista, com apenas 15 anos que vive enredado no seu próprio mundo, longe de tudo e de todos. Possui uma memória fotográfica e é um aluno excelente a matemática e a ciências mas detesta o amarelo e o castanho e não suporta que alguém lhe toque.
Absorvido pela sua doença, Christopher desperta um dia quando encontra o cão da sua vizinha morto, no meio do jardim, com uma forquilha atravessada. A partir daqui nunca mais será o mesmo pois só descansará quando descobrir quem cometeu tão atroz crime.
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Uma leitura leve, divertida, numa escrita acessível e sem grandes trocadilhos (não fosse o narrador quem é).
Trata-se de um jovem de 15 anos, Christopher Boone, com sérias dificuldades em perceber as restantes pessoas e o funcionamento do mundo que o rodeia, apesar de ser brilhante a Matemática e a Física. Este jovem possui o Síndrome de Asperger (Facto que se perdeu na tradução para o português. Um aspecto bastante negativo para a edição portuguesa!), uma forma de autismo.
Tudo começa com a descoberta do cão morto da Sra Shears e com a decisão de Christopher de descobrir quem foi o autor deste assassinato. O que Christopher descobre não é somente o assassino mas também factos que irão afectar-lhe, de forma irremediável, a sua vida.
(22 de Abril de 2007)

quarta-feira


Quando um famoso cientista do CERN é encontrado brutalmente assassinado, o professor de simbologia Robert LAngdon é chamado para identifcar o estranho símbolo garvado no peito do cientista. A sua conclusão é avassaladora: a marca é de uma antiga Irmandade chamada Illuminatti, supostamente extinta há séculos e inimiga da Igreja Católica.
Em Roma, o Colégio dos Cardeais está reunido para eleger um novo Papa quando se aperceb de que foram raptados quatro cardeais; ao mesmo tempo a Guarda Suíça é informada de que uma perigosa arma está na Cidade do vaticano com o propósito de a destruir. Robert Langdon, ajudado por Victoria Vetra, cientista do CERN, procura desesparadamente a antimatéria no meio das intricadas pistas deixadas pelos Illuminatti, lutando contra o tempo para salvar o vaticano.


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Tenho que admitir que após as primeiras páginas comecei a esmorecer na leitura deste livro por me lembrar tanto do 'Código Da Vinci'. Mas face à vertiginosa velocidade de acontecimentos descritos não consegui largar mais as páginas que lia!
Deste livro tenho que evidenciar 3 aspectos muito positivos:
1- A excelente integração de História (Monumentos, personalidades, factos, ...) neste livro de pura acção.
2- A maravilhosa ironia do autor que me fez sorrir no meio daquela tensão e suspense (o relógio do rato Mickey no pulso de um professor de Harvard; a relação 'tumultuosa' entre Olivetti e Vittoria Vetra...).
3- A reviravolta do final que, para mim, foi completamente inesperada (embora tenha achado alguns pormenores um pouco melodramáticos demais).
(18 de Abril de 2007)

terça-feira

Prémio Nobel da literatura em 1907, Rudyard Kipling é conhecido sobretudo pelas suas histórias da Índia, onde nasceu e viveu muitos anos. 'O livro da Selva' e 'Kim' são as suas obras mais famosas, adaptadas várias vezes ao cinema, inclusive em desenhos animados por Walt Disney.
Trata-se de uma história trágica de dois amigos que se unem para que um se torne rei.
(9 de Abril de 2007)
Livro com uma série de contos deste escritor argentino. Contém os seguintes contos:
- A Auto-Estrada do Sul
- A Saúde dos Enfermos
- A Ilha do Meio-Dia
- Todos os fogos o fogo
- O Outro Céu
" Julio Cortázar é o mais europeu dos escritores argentinos. Nascido em Bruxelas em 1914, a sua obra é uma permanente busca e autocrítica. O tema do labirinto e o tom experimental da sua linguagem fazem dele um dos mais importantes autores do século XX.As novelas de Cortázar tornam o leitor inevitavelmente seu cúmplice, ao identificar-se tão profundamente com o desconcerto com que terminam. Como é o caso das histórias deste volume, cuja riqueza de pormenores cria um crescendo quase insuportável"
Manuel de Seabra

(6 de Abril de 2007)

"Numa época nimbada ainda do espírito vitoriano, o poeta, romancista e pintor D.H. Lawrence representa a rebeldia contra a moralidade puritana, o que o levou a uma espécie de metafísica do sexo, que muito escandalizou os seus contemporâneos.
Esta novela contém muitos dos ingredientes característicos da obra de D.H. Lawrence. 'A Princesa' é uma mulher tipicamente lawrenciana, complexa, vitalista e rebelde, dominada por um erotismo inconsciente que tenta em vão dominar. Um livro que poderá sacudir profundamente o leitor."
Manuel Seabra
Muito palavreado exuberante para dizer apenas que se trata de um história sobre uma mulher que se irá sentir atraída por um homem que ela considera 'inferior' a si e que a suposta fragilidade que ela aparenta é apenas uma 'arma' a seu favor.
(5 de Abril de 2007)

Livro que contém as seguintes histórias:
- Ligeia
- A queda da Casa de Usher
- A máscara da Morte Vermelha
- O poço e o pêndulo
- O coração revelador
- O gato negro
- O barril de «amontillado»
(4 de Abril de 2007)

Vítima de uma suposta denúncia falaciosa de uma mulher repudiada na noite de núpcias, o jovem Santiago Nasar foi condenado à morte pelos irmãos da sua hipotética amante, como forma de vingar publicamente a sua honra ultrajada e sob o olhar cúmplice ou impotente da população expectante de uma aldeia colombiana: é esta a história verídica que serve de base a este romance, e que, logo nas suas primeiras linhas, é enunciada.
Mas afinal onde se encontra a verdade nesta muito anunciada tragédia?

Retirado do livro:
"Os irmãos Vicario entraram às 4.10. A essa hora só se vendiam petiscos, mas Clotilde Armenta vendeu-lhes uma garrafa de aguardente de cana, não só pela estima que tinha por eles, mas também porque estava agradecidíssima pelo bocado de bolo que lhe tinham mandado. Beberam a garrafa inteira em duas grandes goladas, mas continuaram como se nada fosse. «Estavam pasmos», disse-me Clotilde Armenta, «e já não iam lá nem com uma medida de petróleo pelos gorgomilos.» Despiram então os casacos, dependuraram-nos com todo o cuidado nas costas das cadeiras, e pediram outra garrafa. Tinham a camisa suja de suor seco e uma barba de dois dias que lhes dava um ar montês. A segunda garrafa beberam-na mais devagar, sentados, olhando com insistência para a casa de Plácida Linero, no passeio oposto, com as janelas sem luz. A maior varanda era a do quarto de Santiago Nasar. Pedro Vicario perguntou a Clotilde Armenta se tinha visto luz nessa janela, e ela disse que não, mas pareceu-lhe uma curiosidade estranha. - Sucedeu-lhe alguma coisa? – perguntou. - Nada – respondeu Pedro Vicario. – Nós é que andamos à procura dele para matá-lo."

(1 de Abril de 2007)

sexta-feira


"Em Não Perturbem os Sonhos, o leitor assiste à história de uma família que se vê condenada a reviver inexoravelmente o passado da família Desmond que também habitou em Mulberry House, Hampton, mas em 1938. Nesta altura um temível furacão abateu-se sobre a região e, na manhã seguinte, os que forçaram a entrada, viram o sangrento espectáculo do que restava da familia Desmond.
Agora estamos em 1976 e o casal Bradley, Stacey e Richard - dois adolescentes sequiosos de vida sexual - a pequena Lissi e Anny Cullum, estudante universotária, preparam-se para gozar umas férias felizes na casa de Mulberry House.
Não perturbem os sonhos é, assim, um romance de suspense, violência e horror, incesto e violação, que conduz os leitores, de forma sinuosa e rápida, para os caminhos de um climax raramente atingido..."
(30 de Março de 2007)